Muitas vezes eu desejei que o dia tivesse mais que 24 horas porque nunca consigo dar conta de tudo que preciso fazer. É tanta correria e sempre reclamo que nunca tenho tempo pra nada, parece até que os ponteiros são mais ligeiros nas horas que deveriam ser lentos e outras vezes andam como tartarugas quando deveriam chegar em primeiro lugar na corrida de fórmula 1. Confesso que não tenho uma relação muito amistosa com o relógio.
Me vejo perdida entre segundos, minutos, horas, enfim me vejo num
labirinto e tendo meus passos cronometrados mas não consigo sair dele,
nem de dia e nem de noite. Raramente uso algum relógio no pulso, embora eu ache um acessório lindo, eu tenho a sensação de estar usando uma pulseira controladora. Entretanto, não me livro do controle porque não sei viver sem o celular e por onde eu passo sempre tem algum pendurado na parede, ele está na tela do computador e nos pulsos das pessoas. Então não tem por onde escapar, querendo ou não ele está por aí, seja fisicamente ou dentro da minha cabeça.
Sim dentro da minha cabeça! Tenho um tic-tac interno que mais parece TOC. Talvez seja pela ansiedade que me consome e que costuma querer dar uma volta no tal tempo.
Eu queria ter o poder de controlar o tempo mas como isso não é possível vou levando a vida do jeito que dá, com conquistas e frustrações. Tentando lidar com os efeitos da minha impotência quando estou deitada na minha cama ou vendo a vida passar pela vidraça embaçada. Os outros em movimento e eu ali estática, pensando, pensando.
Será que isso acontece só comigo? Tem mais alguém perdido por aí? Eu consigo me perder dentro do meu próprio quarto, fico rodeada de papéis. Sei várias fórmulas matemáticas porém nenhuma até hoje resolveu o meu problema. Nenhum gênio conseguiu criar uma fórmula para resolver o problema do tempo, ou melhor o meu problema.
A bagunça externa em que me encontro é apenas o reflexo da minha confusão interior. Eu vejo, os outros também veem o que está aqui fora, mas aqui do lado de dentro é tanta poeira e desordem. Até que um dia percebi que mesmo que o dia tivesse 48 ou 72 horas não ia adiantar. O problema não é o tempo e sim eu.
Resolvi parar, respirei fundo e larguei essa minha compulsão por culpas.Comecei a me deslocar mentalmente, não procurei motivos, procurei saídas. Algumas portas estavam trancadas, eu bati mas ninguém as abriu. Outras apenas virei a maçaneta e abri, e umas tinha algum sensor de movimento porque assim que me aproximei abriram sozinhas.
Assim fui mudando essa relação que por pouco não culmina em crime passional. De entre tapas e beijos, antes mais tapas para um namorico de idas e voltas. Não consigo fazer tudo ainda, provavelmente essa perfeição seja inatingível mas tenho aberto muitas portas, não fui
pole position, nem sempre subo no
podium mas já me molhei de champanhe por aí e sinto uns pingos na minha boca. Nunca foi importada, rola mais uma sidra para comemorar sabe.
Meus passos não possuem exatidão, ando dançando conforme a música, ora lenta, ora mais agitada. Sem pensar muito no amanhã exageradamente, e sim pensando no que eu posso fazer hoje para o meu dia ser melhor. Não me afundo em culpas, não olho a grama do vizinho e muito menos me preocupo com os julgamentos alheios.
Este post faz parte de um desafio de um grupo muito querido, o Café com Blog